terça-feira, 22 de junho de 2010

O Blog

O blog foi criado pela estudante universitária Gabriela Fonseca, com o intuito de reunir informações a respeito do escritor Alberto Mussa, dispondo-as de modo que se tornem organizadas e, conseqüentemente, mais sólidas, servindo, dessa forma, como uma fonte de credibilidade na internet.

domingo, 20 de junho de 2010

Entrevista com Alberto Mussa e Luiz Antonio Simas (09/02/2010)




O escritor Alberto Mussa e o historiador Luiz Antonio Simas pesquisaram a fundo e relembraram os grandes sucessos do carnaval.

Fonte: Globo.com

Prêmios

O autor foi amplamente premiado pelos livros O Trono da Rainha Jinga, O Enigma de Qaf e O Movimento Pendular. Abaixo, a lista de prêmios por ordem cronológica:

  • Bolsa da Fundação Biblioteca Nacional (por O Trono da Rainha Jinga)
  • APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), em 2004, na categoria Literatura (por O Enigma de Qaf)
  • Casa de Las Americas, em 2005, na categoria Literatura Brasileira (por O Enigma de Qaf)
  • Machado de Assis, em 2006, da Fundação Biblioteca Nacional (por O Movimento Pendular)
  • APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), em 2006, na categoria Literatura (por O Movimento Pendular)


Além disso:

  • O Enigma de Qaf foi considerado, pelo jornal O Globo, um dos dez melhores livros de 2004. O mesmo livro recebeu uma resenha elogiosa realizada pela revista inglesa The New Internationalist, em 2008.
  • Elegbara foi escolhido, pela Revista Bravo, um dos melhores livros publicados em 2005.

Samba de Enredo: História e Arte (2009)


No livro, os autores Alberto Mussa e Luiz Antônio Simas baseiam-se em dois critérios para definir o gênero esse gênero musical: o intrínseco, segundo o qual o samba de enredo é “o poema musicado que alude, discorre ou ilustra o tema alegórico eleito pela escola”, e o extrínseco, que se refere à sua estrutura métrica e melódica.

Contado linearmente, o livro inicia fazendo um histórico do samba e fazendo um pequeno histórico do surgimento das primeiras escolas. Também faz um bom resumo da caminhada das escolas rumo a temas nacionais, refutando a tese de que havia sido exigência do governo da época. Passa pelo período dos "lençóis" - sambas com letras imensas e clássicas - a época de ouro entre 1969 e 1989 e a progressiva perda de importância do gênero a partir daí - fechando na crise pela qual passa o samba de enredo atualmente e sua perda de influência no julgamento do carnaval. O livro se encerra com um capítulo enumerando as escolas de samba, contando um pouco de sua história e seus principais sambas, e com um outro capítulo que mostra os grandes compositores da história.


2009: Samba de enredo: história e arte - Editora Record, Rio de Janeiro

Meu Destino É Ser Onça (2008)


Compilando todas as versões que encontrou dos mitos tupinambás, registradas por viajantes que tiveram contato com os índios e os ouviram relatar suas histórias sobre a criação do mundo, Alberto Mussa agrega, corta, seleciona os relatos até chegar a uma única narrativa coesa que seria o equivalente de um “original” do mito como era conhecido pelos indígenas.

O resultado não são histórias mitológicas soltas, e sim uma cosmogonia organizada com personagens recorrentes, com laços de família e elementos arquetípicos presentes em vários conjuntos de narrativas mitológicas mundo afora: a humanidade como resultado de várias “extinções” sucessivas, uma “terra sem males” ancestral da qual os homens foram expulsos por suas faltas e assim por diante.


2008: Meu destino é ser onça - Editora Record, Rio de Janeiro

Os Poemas Suspensos (2006)


Esses poemas começaram a ser coligidos a partir do século VIII da era cristã, e podem remontar ao século VI, ou até mesmo antes. Meca já era então um santuário de peregrinação, onde havia concursos de poesia. Os melhores poemas, diz a lenda, eram bordados num manto púrpura com fio de ouro e erguidos sobre a grande pedra preta da Caaba - daí o nome de "poemas suspensos".

O livro traz uma seleção dos mais importantes e tradicionais poemas da literatura árabe pré-islâmica. A poesia tinha um papel fundamental nessa sociedade, já que era o poeta quem desempenhava o papel de historiador, conselheiro e divulgador das glórias de sua tribo. Nesses poemas de homens em guerra, orgulhosos de seu ambiente árido e hostil, a beleza é alcançada pelo vigor das imagens que abundam em alusões, descrições e comparações às coisas concretas.


2006: Os poemas suspensos - Editora Record, Rio de Janeiro

O Movimento Pendular (2006)


O romance começa quando o narrador, empenhado em escrever a História tipológica do triângulo amoroso, se dá conta de que sua tarefa é humanamente impossível. Abandona, então, o projeto inicial e, em vez de um catálogo de histórias, propõe uma teoria universal do triângulo amoroso, dividida em seis postulados fundamentais.

A história percorre casos de adultério colhidos das mais variadas culturas, desde a Antiguidade aos tempos de hoje. O narrador, anônimo, vai desfiando o novelo composto por uma infinidade de narrativas, que por sua vez compõem um rigoroso desenho lógico, como se o leitor tivesse em mãos um misto de romance e de tratado sobre as múltiplas possibilidades de se armar um triângulo amoroso. Essas histórias, então, dependem uma das outras para a demonstração do teorema a que se propôs o autor. Nele, o leitor ficaria encarregado de descobrir qual entre as narrativas é a falsa.


2006: O movimento pendular - Editora Record, Rio de Janeiro

O Enigma de Qfa (2004)


O Enigma de Qfa é narrado em três linhas narrativas. Na principal, ele relata a história do poema de AI Gatash e da luta para verificar sua veracidade. Essa parte está dividida em vinte e oito capítulos, nomeados conforme as vinte e oito letras do alfabeto árabe. Entre eles, há capítulos intermediários chamados de parâmetros e excursos. Os excursos têm relação com a história principal, já os parâmetros são lendas de heróis árabes, que se comparam e defrontam com al-Ghatash.

Resumindo, sua história começa com a história do autor, que está concluindo seus estudos em literatura pré-islâmica, e defende a existência e veracidade de um poema chamado Qafiya al-Qaf. O autor toma conhecimento do poema por meio de seu avô, o velho Nagib, que costumava recitá-lo ao neto ainda criança. Depois que o avô morre, o autor reconstitui o poema, que narra a luta de al-Ghatash, guerreio-poeta e autor de Qafiya al-Qaf, para conquistar a bela Layla. O autor não tem dúvidas da autenticidade do poema, mas descobre ser o único entre os estudiosos da Idade da Ignorância, como os árabes chamam o período antes da revelação ao profeta, que acredita na existência de al-Ghatash. O livro é ficção, porém apresenta aspectos reais, como quando se baseia em leituras sobre a cultura árabe, que são verdadeiras. Trata-se, em outras palavras, de uma realidade fantástica.


2004: O enigma de Qaf - Editora Record, Rio de Janeiro

O Trono da Rainha Jinga (1999)


O livro é sobre uma irmandade secreta de escravos criminosos que aterroriza o Rio de Janeiro, no século XVII. O trono da Rainha Jinga faz um passeio pelo Rio Antigo, mostrando as classes sociais, os ambientes, a cultura africana trazida para o Brasil e são apresentados índios, africanos, portugueses e mestiços sem os estereótipos tradicionais.

Cada capítulo do livro é narrado por um personagem diferente, de modo que a história acumula diversos pontos de vista, que se encadeiam até o desfecho. Ao mesmo tempo, são contadas as aventuras de um dos personagens pela África, onde conhece a famosa rainha Jinga.


1999: O trono da Rainha Jinga - Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro. Nova edição: Editora Record, 2007, Rio de Janeiro

Elegbara (1997)


"Elegbara" é uma coletânea de narrativas, que aborda a formação multicultural da identidade brasileira. São dez histórias que misturam fatos históricos, ficção e mitologia, viajando através das culturas brasileira, portuguesa e africana. O livro vai desde a chegada de Cabral, passa pelo Brasil colônia na narrativa “O enforcado”, visita o cenário do desaparecimento do Rei Dom Sebastião de Portugal e se arrisca em locações na África antiga e até na pré-história.

Exu é um personagem que aparece em várias das narrativas. Mensageiro entre os homens e os deuses, ele surge sempre para confundir os limites entre os mundos que media. Seu maior poder é revelar que todas as verdades são relativas. Em “A cabeça de Zumbi”, por exemplo, o herói dos Palmares é visto não apenas como um estrategista a combater os brancos, pois dilui a própria identidade e dissemina-se como um ente coletivo.


1997: Elegbara - Editora Revan, Rio de Janeiro. Nova edição: Editora Record, 2005, Rio de Janeiro

O Autor


Alberto Baeta Neves Mussa nasceu em 1961, no Rio de Janeiro. É formado em Letras, pela UFRJ. Em 1991 defendeu a dissertação de Mestrado O papel das línguas africanas na história do português no Brasil, na mesma instituição. Já foi professor e lexicógrafo. Atuou como tradutor quando escreveu o livro Os Poemas Suspensos. Hoje atua como escritor e compositor.

Sua obra tem sido estudada na Universidade de Stanford, Califórnia, e foi traduzida também para o espanhol e o italiano.

Foi considerado pela revista literária Europe um dos cinco autores mais representativos da narrativa brasileira atual.

O jornal francês Le Monde e o jornal alemão Die Zeit o indicaram como uma das revelações do IV Festival Internacional de Literatura de Berlim.